12 de junho de 2013

CEMEI’S com prédios interditados e espaços inadequados prejudicam educação infantil em Contagem


Franciele Cristina Pereira de Sousa é mãe do pequeno Luidhy Miguel, de quatro anos. Desde o final do ano passado, ainda que tenha pouca idade, ele é obrigado a frequentar a Escola Municipal Ricardo Barreto e compartilhar com crianças bem maiores do que ele o mesmo espaço, inclusive o banheiro. Isso porque o CEMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Perobas está interditado desde o início desse ano, devido a sua estrutura estar correndo risco de desabar.
“Quando coloquei meu filho no CEMEI, ele funciona bem, as crianças tinham espaço para brincar, mas agora, os pequenos são obrigados a ficarem trancados nas salas ou então correndo risco no meio dos alunos maiores”, desabafou a mãe.
Segundo ela, no final do ano passado, ela e outras mães observaram rachaduras no refeitório. Pouco tempo depois foram colocados pedaços de madeira para conter o teto. “Mas, parece que não resolveu e interditaram o prédio”, disse Franciele.
Segundo a diretoria do Sind-Ute Contagem (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação), o prédio apresentou problemas pouco tempo após sua inauguração, em 2009, e desde então os trabalhadores e o sindicato vem discutindo com a prefeitura, através da Secretaria de Educação, para que os problemas sejam resolvidos. “O investimento na obra foi de R$ 807 mil e parece-nos dinheiro jogado fora.  A solução encontrada hoje é paliativa e, de fato, não oferece as melhores condições aos alunos”, explicou a diretoria do sindicato.
Entre os vários problemas que não a deixam ficar tranquila quando deixa o filho na escola para trabalhar é a merenda que, segundo ela, está sendo compartilhada com os alunos da escola municipal, pois nas unidades de atendimento exclusivamente infantil, a merenda é diferenciada.  “As crianças do CEMEI possuem alimentação balanceada e fico com medo de não sobrar merenda para meu filho e as outras crianças menores”, disse.
Ainda segundo ela, não há informação sobre possível reforma do CEMEI Perobas e as mães estão muito preocupadas com a situação, principalmente com a integridade física das crianças, por causa da convivência com os maiores.  
De acordo com Franciele, outro problema é que, como a escola não está adaptada para a educação infantil, não há chuveiros para as crianças tomarem banho, nem sanitários adaptados ao tamanho dos pequenos e muitas delas ficam o dia todo sujas e sofrendo com possíveis assaduras e contaminações.

Mesmo problema


Outro CEMEI que enfrenta os mesmos problemas é a unidade Vereador João Evangelista Fernandes, que fica no bairro Industrial. De acordo com a diretora Ângela Maria Marques, desde 2001, o prédio vem sendo interditado por problemas de infraestrutura. “Esta é a terceira vez que o CEMEI João Evangelista tem que se adaptar na Escola Municipal Dona Gabriela Leite, as outras duas vezes nosso prédio passou por reformas, as quais nada adiantaram”, relatou.
Segundo professoras do CEMEI, recentemente, o prédio interditado havia se tornado abrigo para moradores de rua, que, ainda usavam drogas no local.  Atualmente, ele está literalmente abandonado.
“Utilizar o espaço da escola é muito complicado, as crianças não têm onde brincar e ficam o tempo todo dentro de sala de aula. Na hora do recreio, precisamos atravessar as crianças por toda a escola até o refeitório. Muitas vezes está chovendo e temos que usar sombrinhas e levar uma por uma”, desabafou a diretora.
Há ainda a dificuldade da entrada das crianças do CEMEI junto com os alunos da escola municipal, visto que os pais deveriam acompanhar seus filhos até a sala de aula, com total segurança. “Graças a Deus tenho um grupo de trabalho muito bom e na raça estamos conseguindo driblar os problemas e educar nossas crianças”, salientou.

Casa adaptada


O CEMEI Belém, ainda que sua sede não esteja interditada, sofre com a falta de estrutura apropriada para a educação infantil. Isso porque, ao invés de ter um prédio próprio para receber as crianças, funciona, até hoje, em uma casa adaptada. Por isso, a unidade somente atende crianças de quatro e cinco anos, quando poderia receber as menores, de três anos, se tivesse um espaço adequado.
De acordo com a diretora Lucimar Lança, desde sua inauguração, o CEMEI Belém tem esse problema. “Já funcionamos em outra casa também de maneira improvisada e há algum tempo estamos nessa casa, que é pequena, possui apenas dois banheiros e não tem um local apropriado para as crianças brincarem”, contou.
Ainda segundo ela, os cômodos da casa tiveram que ser adaptados e a cozinha, por exemplo, divide espaço com a sala dos professores. Já as salas improvisadas são extremamente pequenas e abafadas e as crianças sofrem muito no calor.
“Nossa esperança é que a nova administração consiga um terreno na região e construa um prédio adequado para as atividades do CEMEI e que comporte a demanda de crianças com estrutura própria para a educação infantil”, enfatizou.
Na mesma situação ainda se encontram os CEMEIs Jardim Eldorado e Novo Eldorado. Sobre o assunto, o Sind-Ute Contagem afirma que vem cobrando e denunciando a situação de precariedade em que estão a maioria das crianças atendidas na educação infantil da cidade. “Elas estão em escolas improvisadas, sem os recursos físicos e estruturais necessários, trazendo prejuízos à qualidade das condições de trabalho e ao ensino dos pequenos”, colocou a diretoria do sindicato.
De acordo com o Sind-Ute Contagem, o atendimento das crianças tem sido feito por trabalhadoras do quadro administrativo, mas que trabalham como professoras, recebendo salários menores e com jornada de trabalho maior; e que por isso estão gradativamente abandonando os cargos. Vale lembrar que as obras das sedes de alguns dos CEMEI”S em questão foram aprovadas há anos, no orçamento participativo daquelas comunidades, mas ainda não foram feitas.

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