Franciele Cristina Pereira de Sousa é mãe do pequeno Luidhy
Miguel, de quatro anos. Desde o final do ano passado, ainda que tenha pouca
idade, ele é obrigado a frequentar a Escola Municipal Ricardo Barreto e
compartilhar com crianças bem maiores do que ele o mesmo espaço, inclusive o
banheiro. Isso porque o CEMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Perobas
está interditado desde o início desse ano, devido a sua estrutura estar
correndo risco de desabar.
“Quando coloquei meu filho no CEMEI, ele funciona bem, as
crianças tinham espaço para brincar, mas agora, os pequenos são obrigados a
ficarem trancados nas salas ou então correndo risco no meio dos alunos
maiores”, desabafou a mãe.
Segundo ela, no final do ano passado, ela e outras mães
observaram rachaduras no refeitório. Pouco tempo depois foram colocados pedaços
de madeira para conter o teto. “Mas, parece que não resolveu e interditaram o
prédio”, disse Franciele.
Segundo a diretoria do Sind-Ute Contagem (Sindicato Único
dos Trabalhadores em Educação), o prédio apresentou problemas pouco tempo após
sua inauguração, em 2009, e desde então os trabalhadores e o sindicato vem
discutindo com a prefeitura, através da Secretaria de Educação, para que os
problemas sejam resolvidos. “O investimento na obra foi de R$ 807 mil e
parece-nos dinheiro jogado fora. A
solução encontrada hoje é paliativa e, de fato, não oferece as melhores
condições aos alunos”, explicou a diretoria do sindicato.
Entre os vários problemas que não a deixam ficar tranquila
quando deixa o filho na escola para trabalhar é a merenda que, segundo ela,
está sendo compartilhada com os alunos da escola municipal, pois nas unidades
de atendimento exclusivamente infantil, a merenda é diferenciada. “As crianças do CEMEI possuem alimentação
balanceada e fico com medo de não sobrar merenda para meu filho e as outras
crianças menores”, disse.
Ainda segundo ela, não há informação sobre possível reforma
do CEMEI Perobas e as mães estão muito preocupadas com a situação,
principalmente com a integridade física das crianças, por causa da convivência
com os maiores.
De acordo com Franciele, outro problema é que, como a escola
não está adaptada para a educação infantil, não há chuveiros para as crianças
tomarem banho, nem sanitários adaptados ao tamanho dos pequenos e muitas delas
ficam o dia todo sujas e sofrendo com possíveis assaduras e contaminações.
Mesmo problema
Outro CEMEI que enfrenta os mesmos problemas é a unidade
Vereador João Evangelista Fernandes, que fica no bairro Industrial. De acordo
com a diretora Ângela Maria Marques, desde 2001, o prédio vem sendo interditado
por problemas de infraestrutura. “Esta é a terceira vez que o CEMEI João
Evangelista tem que se adaptar na Escola Municipal Dona Gabriela Leite, as
outras duas vezes nosso prédio passou por reformas, as quais nada adiantaram”,
relatou.
Segundo professoras do CEMEI, recentemente, o prédio
interditado havia se tornado abrigo para moradores de rua, que, ainda usavam
drogas no local. Atualmente, ele está
literalmente abandonado.
“Utilizar o espaço da escola é muito complicado, as crianças
não têm onde brincar e ficam o tempo todo dentro de sala de aula. Na hora do
recreio, precisamos atravessar as crianças por toda a escola até o refeitório.
Muitas vezes está chovendo e temos que usar sombrinhas e levar uma por uma”,
desabafou a diretora.
Há ainda a dificuldade da entrada das crianças do CEMEI
junto com os alunos da escola municipal, visto que os pais deveriam acompanhar
seus filhos até a sala de aula, com total segurança. “Graças a Deus tenho um
grupo de trabalho muito bom e na raça estamos conseguindo driblar os problemas
e educar nossas crianças”, salientou.
Casa adaptada
O CEMEI Belém, ainda que sua sede não esteja interditada,
sofre com a falta de estrutura apropriada para a educação infantil. Isso
porque, ao invés de ter um prédio próprio para receber as crianças, funciona,
até hoje, em uma casa adaptada. Por isso, a unidade somente atende crianças de
quatro e cinco anos, quando poderia receber as menores, de três anos, se
tivesse um espaço adequado.
De acordo com a diretora Lucimar Lança, desde sua
inauguração, o CEMEI Belém tem esse problema. “Já funcionamos em outra casa
também de maneira improvisada e há algum tempo estamos nessa casa, que é
pequena, possui apenas dois banheiros e não tem um local apropriado para as
crianças brincarem”, contou.
Ainda segundo ela, os cômodos da casa tiveram que ser
adaptados e a cozinha, por exemplo, divide espaço com a sala dos professores.
Já as salas improvisadas são extremamente pequenas e abafadas e as crianças
sofrem muito no calor.
“Nossa esperança é que a nova administração consiga um
terreno na região e construa um prédio adequado para as atividades do CEMEI e
que comporte a demanda de crianças com estrutura própria para a educação
infantil”, enfatizou.
Na mesma situação ainda se encontram os CEMEIs Jardim
Eldorado e Novo Eldorado. Sobre o assunto, o Sind-Ute Contagem afirma que vem
cobrando e denunciando a situação de precariedade em que estão a maioria das
crianças atendidas na educação infantil da cidade. “Elas estão em escolas
improvisadas, sem os recursos físicos e estruturais necessários, trazendo
prejuízos à qualidade das condições de trabalho e ao ensino dos pequenos”,
colocou a diretoria do sindicato.
De acordo com o Sind-Ute Contagem, o atendimento das
crianças tem sido feito por trabalhadoras do quadro administrativo, mas que
trabalham como professoras, recebendo salários menores e com jornada de
trabalho maior; e que por isso estão gradativamente abandonando os cargos. Vale
lembrar que as obras das sedes de alguns dos CEMEI”S em questão foram aprovadas
há anos, no orçamento participativo daquelas comunidades, mas ainda não foram
feitas.
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